domingo, 10 de fevereiro de 2013

Grand Theft Auto 3 - Análise

Esta é a análise de Grand Theft Auto 3, lançado pela Rockstar Games em 2001 para o Playstation 2.

File:GTA3boxcover.jpg

Introdução

Poucos jogos foram tão controversos quanto a franquia GTA, desde seu nascimento. Desde quando o primeiro game da franquia foi lançado para o PC, e depois chegou ao Playstation, já se falava sobre sua violência explícita, sua conotação sexual, sua apologia ao tráfico de drogas e de armas e de sua conspiração política por denunciar as mazelas da sociedade norte americana de forma tão cruel e direta. Mas, ao mesmo tempo em que fez milhares de inimigos, fez ainda muito mais fãs. A Rockstar Games pagou muitos processos por seus jogos, mas o número de pessoas que admiravam suas obras não parava de aumentar. E qual a melhor forma de celebrar tamanha parceria senão com um novo e ainda mais controverso game? Grand Theft Auto 3 trouxe todo o universo para a nova geração de consoles, e chegou com tudo no Playstation 2. Ainda mais violento, mais sádico, mais cômico e mais crítico, trata-se de um jogo que deu início a um novo patamar, não só para a empresa como para o mundo dos games como um todo. Um jogo que veio contra tudo e todos, para revolucionar tudo o que já havia sido feito até então. Um game que formou uma legião de seguidores (e de fervorosos inimigos), e serviu de inspiração para a criação de muitos jogos, filmes, músicas e histórias em quadrinhos ao redor do mundo. Um dos jogos mais influentes e mais bem sucedidos da história dos games. Referência completa dentro de seu segmento e marca determinante em sua época. GTA 3 foi tudo isso e muito mais.

GRAND THEFT AUTO 3


Informações técnicas

Publicado por: Rockstar Games
Desenvolvido por: DMA Design
Gênero: Open-World Action
Diretor: Navid Khonsari
Plataforma: Playstation 2
Data de lançamento: 22 de outubro de 2001
Faixa etária: Mature

Trilha-sonora da análise

Enquanto lê a nossa análise, que tal escutar o áudio que separamos mais abaixo?


Música-tema do jogo, composta por Craig Conner Stuart Ross.

Sobre a história (contém spoilers)

Grand Theft Auto sempre conta uma história de traição, violência, de prostituição, de dilemas na sociedade e de crime organizado. Na verdade, nos primeiros dois jogos, o enredo não tinha muito espaço para ser contado, então os jogos não eram muito lembrados por sua história. Havia personagens pouco trabalhados, sem nenhuma caracterização eficiente. Mas isso mudou a partir desse game. Agora há um enredo decente e bem trabalhado, com personagens com nome e estilo próprios, e uma ordem comum de acontecimentos do qual podemos estabelecer um começo, meio e fim (antes, o jogo era livre e deixava o jogador fazer o que quisesse na ordem que quisesse. Agora, temos um enredo a cumprir). Vamos à história de GTA 3:

Tudo gira em torno do protagonista: Claude.


Claude é um bandido comum, daqueles de esquina mesmo. Ele começou como um mero corredor de rachas na cidade de Los Santos, mas, por influência de sua namorada Catalina, entrou para o mundo do crime. Sem família e sem escrúpulos, é capaz de fazer qualquer coisa por dinheiro. Além de excelente motorista, se tornou habilidoso com qualquer tipo de arma. Apesar de sua coragem e falta de caráter, ele é do tipo pau-mandado. Só recebe ordens de todo mundo, não se pronuncia uma vez sequer, nem para discutir, e isso o torna um alvo fácil para ser traído. Ele nem tem voz no jogo, já que não fala uma palavra sequer. Seu nome, Claude, nem aparece nesse jogo, em momento algum. Só sabemos que é Claude porque seu nome é mencionado em outros jogos futuros.

A história de Claude começa mais ou menos ao mesmo tempo em que começa a história sua namorada, Catalina, lá em 1992:



Catalina é uma criminosa descendente de colombianos e de mexicanos. Bela e maldosa, ela se envolve com diversos tipos de crime, de assalto a assassinato, de estelionato a sequestro, desde pequena. Por ser filha de criminosos, ela foi criada nesse meio, e se tornou uma pessoa extremamente sádica e egoísta. Após um breve relacionamento com um membro de uma gangue local de Los Santos, chamado Carl Johnson, ela conheceu o competidor de rachas mais famoso de Los Santos, Claude, e começou um relacionamento mais sério com ele. E aí começa a história de ambos.

Claude e Catalina se conheceram em 1992, em Los Santos, e depois viveram uma bela história de amor, sexo e crimes. Ambos passaram a vaguear pelos Estados Unidos, cometendo pequenos delitos  em locais pequenos, aqui e ali. Começaram a fazer fortuna e a se tornar realmente procurados pela polícia. Até que, em 2001, resolveram montar uma moradia fixa e estabelecer um crime mais organizado, realizando assaltos de grande porte para poderem realmente descansar em paz e aproveitar a vida. Eles escolhem a cidade de Liberty City para isso. Liberty City, caso esteja se perguntando, é uma versão satirizada da cidade norte-americana de Nova Iorque. Chegando na cidade, a dupla se depara com o influente narco-traficante Miguel.


Miguel possui um histórico de crimes invejável. Colombiano nato, Miguel se envolveu com a máfia colombiana praticamente desde seu nascimento. Com vários familiares e amigos pertencentes ao mundialmente famoso cartel colombiano, tratou logo de se profissionalizar no ramo do crime organizado. Começou por baixo no cartel, e foi pouco a pouco construindo a sua história. Em 1998, se mudou para Liberty City, onde começou a importar drogas para os EUA através da máfia da Família Leone. Aparentemente foi morto por Toni Cipriani, mas retornou e continuou com seus negócios de importação de drogas até 2001, quando conheceu Claude e Catalina.

Claude e Catalina se juntam ao narco-tráfico do cartel colombiano, ao lado de Miguel. Como uma das primeiras missões do grupo, para mostrarem seu valor e se firmarem efetivamente no crime organizado, eles tinham de assaltar um banco. Eles bolaram um plano de mestre, e foram assaltar o maior banco do estado. Só que as coisas não saíram como eles queriam. A polícia acaba perseguindo o grupo na saída do banco, após o assalto. Catalina, Claude e um outro bandido correm em direção ao carro, onde Miguel espera para sair correndo. Catalina então toma uma decisão desesperada: ela mata o outro bandido, e atira em Claude, deixando-o ferido no local enquanto corre para o carro. Com isso, ela consegue atrasar a polícia, que parou para socorrer Claude, e teve tempo de fugir.

Claude foi preso, e, como o único assaltante capturado, foi o único a ser realmente indiciado e culpado pelo crime. Catalina e Miguel conseguiram fugir e continuaram atuando pelo cartel colombiano. Claude jurou vingança contra sua ex-namorada que o traiu inescrupulosamente. Mas primeiro teria pena a cumprir. 10 anos de sentença, para ser mais exato.

Claude estava sendo transportado até a prisão federal de Portland View, na região de Portland, em Liberty City, quando de repente um ataque acontece. Um grupo armado do cartel colombiano detona a Ponte de Calahan, destruindo o comboio de escolta e inviabilizando reforços. Enquanto isso, um carro aparece e consegue resgatar um dos reféns que estavam no camburão, um senhor de idade e origem oriental até então desconhecido. Depois que os bandidos fogem, Claude vê sua chance de escapar. Ele consegue fugir, junto de outro homem que estava preso, um homem conhecido como 8-Ball.


8-Ball é um dos personagens mais famosos e mais recorrentes da franquia GTA. Ele apareceu em diversos jogos da série, sempre como um especialista em bombas que é capaz de armar explosivos de todo tipo de porte e função. Conhecido por suas habilidades, ele é requisitado sempre pelos mais poderosos bandidos e mafiosos das regiões no qual passa. Seus negócios se estendem a Liberty City, Vice City e vai até Los Santos, fora outras unidades paralelas em outras cidades.

8-Ball diz que sabe de um esconderijo legal onde pode passar um tempo. Claude aceita a proposta e 8-Ball o leva até um apartamento fuleiro em um dos bairros mais mal-vistos da cidade: o Red Light District (baseado em uma rua real de Nova Iorque, chamado 42nd Street), rodeado por prostíbulos, conjuntos habitacionais de baixa renda, casebres caindo aos pedaços e becos de criminosos. Pelo menos é melhor do que nada. Após fixar sua moradia, Claude precisa de um emprego para se manter. 8-Ball ajuda também nisso, e aconselha que Claude vá procurar um amigo dele, o qual também solicita seus "préstimos". Claude é então apresentado a Luigi Goterelli.


Luigi é um membro da máfia italiana, mais especificamente da Família Leone. Grande amigo de Salvatore Leone. Após juntar alguma grana, ele abriu seu próprio negócio, uma casa de prostituição na Red Light District, chamada Luigi's Sex Club Seven. O local se tornou referência na região, e a maior casa de prostituição de toda Liberty City, fornecendo garotas para todos os mafiosos da cidade. Goterelli se tornou, portanto, o maior cafetão da cidade.

Goterelli estava precisando mesmo de um homem sem escrúpulos para alguns servicinhos baratos, como ir levar prostitutas aqui e ali, ou descer a porrada nos caras que mexem com as garotas erradas. Então, ele contrata Claude para essa função de motorista, segurança e faz-tudo. Claude é tão eficiente em sua nova função que Goterelli decide incentivar sua carreira criminosa. Ele o apresenta para um dos homens influentes dentro da máfia italiana na cidade, Joey Leone.


Leone é o sub-chefe da maior família italiana em Liberty City. Filho único de Salvatore Leone e herdeiro direto de seu poder, Joey prefere ser do tipo que trabalha por trás dos panos. Apaixonado por carros, possui uma coleção de carros exóticos, e seu gosto particular fez com que ele se tornasse mecânico profissional. Ele de fato possui uma oficina mecânica de fachada em Liberty City, chamada Joey's Garage. Sua oficina na verdade apenas serve para cobrir esquemas de lavagem de dinheiro e roubo de carros, apesar de que ele pode ser frequentemente visto com trajes de mecânico tunando alguns veículos. Chegou a trabalhar durante alguns anos com Carl Johnson, mas hoje trabalha sozinho.

Joey nos manda realizar algumas missões mais pesadas, como o assassinato de líder de famílias rivais, como por exemplo Mike Forelli. Também acabamos tendo de assassinar um membro importante da tríade chinesa da região de Chinatown, chamado Lee Chong. A Tríade Chinesa é responsável por disseminar o uso de uma droga pesada que está sendo trazida pelo cartel colombiano para Liberty City, chamada SPANK. A Tríade Chinesa é o maior rival da Família Leone, e realizamos diversas missões em combate a essa máfia, inclusive contando com a participação de um membro notório da família, Antonio Cipriani.


Antonio Cipriani, mais conhecido como Toni pela família, nasceu como um pobre morador de Liberty City. Filho de Ma Cipriani, uma italiana imigrante, com um pai desconhecido, desde cedo ele começou a ter relações com membros da máfia italiana local, já que eles sempre frequentavam o restaurante de comida italiana de sua mãe para tratar de negócios. Começou por baixo, como motorista, e aos poucos foi crescendo dentro da Família Leone, até se tornar um dos principais capitães. Aparece pouco nesse game, mas viria a ser protagonista de seu próprio GTA no futuro.

Ao lado de Toni, Claude enfrenta a Tríade Chinesa a serviço da Família Leone. Em uma de suas missões, Claude deve perseguir um membro da família que está sendo acusado de vender informações para o cartel colombiano em troca de SPANK. Ao seguir o homem, vemos que ele se encontra com membros do cartel colombiano, de fato, mas, para nosso espanto, Catalina e Miguel estão entre eles! Ou seja, os dois que traíram Claude no começo do jogo, ainda pertencem ao cartel colombiano e se encontram aqui mesmo em Liberty City! Claude jura vingança contra os dois que lhe passaram a perna no passado.

Além de seguir ordens da máfia, Claude também recebe algumas missões do líder da gangue local de arruaceiros porto-riquenhos Los Diablos, El Burro. Essa gangue é especializada apenas em venda de drogas, corridas de rua e venda de itens pornográficos. Claude faz algumas missões também para o serial-killer Marty Chonks, dono de uma empresa de fabricação de ração canina Bitch'n'Dog Food. Ele manda Claude sequestrar e matar pessoas para ele usar em sua produção de ração, e isso inclui diversas pessoas, inclusive sua própria esposa.

Crescendo ainda mais aos olhos da máfia, em pouco tempo Claude consegue reputação o suficiente para ser apresentado ao Don, o líder, da Família Leone: Salvatore Leone.


Salvatore nasceu em Palermo, Sicília, na Itália. Veio para Liberty City em 1992, e montou uma mansão luxuosa na região de Saint Marks, que é uma região de imigrantes italianos inspirada na região de Little Italy, na Manhattan atual. De sua mansão, ele coordena todas as ações da máfia italiana em Liberty City, e fora também. Chegou a ter um cassino na região de Las Venturas (versão satirizada de Las Vegas), chamado Caligula's Palace, onde conheceu Carl Johnson. Depois da destruição do local, voltou para Liberty City e dominou a região com punho de ferro, liderando um eterno embate contra a Tríade Chinesa, eterna rival, e os Diablos, uma gangue local. Depois da quebra de irmandade com a Família Forelli, a Família Leone perdeu boa parte de sua influência, mas continua sendo a maior família italiana na região.

Salvatore recepciona Claude muito bem dentro do seio de sua família. Ele só dá missões de grande porte a Claude, como por exemplo o plano ousado de explodir um laboratório de produção de SPANK do cartel colombiano, escondido dentro de um cargueiro ancorado no porto de Portland, ao lado de 8-Ball. Salvatore gosta de homens que trabalham de forma discreta a troco de pouco dinheiro, e sem fazer muitas perguntas. Ele confia tanto em Claude que até mesmo entrega a ele a proteção de sua própria esposa, Maria Latore.


Maria começou sua carreira como uma garçonete no cassino que Salvatore tinha lá em Las Venturas. Bela e sedutora, ela conseguiu seduzir Salvatore, viúvo na época, quando ele veio para Las Venturas conhecer o local. Ambos tiveram um caso e se casaram. Ela nunca se deu muito bem com o filho de Salvatore com seu primeiro casamento, Joey. A influência e dinheiro de seu marido lhe concedeu modos de manter seu estilo excêntrico e caro de vida. Amante de corridas de carros, roupas caras e jóias raras, sempre se mete em encrencas, e precisa da proteção de seu marido. E ela ainda é viciada em drogas, o que complica ainda mais seu estado. Por ser uma sedutora e piriguete de nascença, sua infidelidade é conhecida de todos, já que ela sempre deu em cima até dos amigos e funcionários de Salvatore. Chegou a "se jogar" em cima de Toni Cipriani, que só não teve nada com ela porque tinha amor à vida e ao emprego. No fundo, até tem alguma simpatia por Salvatore, mas gosta mesmo é da carteira dele.

Claude participa de algumas missões, no qual tem de ajudar Maria a sair de alguns probleminhas pessoais. Com vida agitada em festas e baladas, Claude acaba se tornando seu motorista preferencial. Não demora muito tempo para ela começar a dar em cima de Claude, como de costume. Claude não aceita as indiretas, por amor à vida, mas não tem jeito. É claro que, mais cedo ou mais tarde, o bafafá iria chegar aos ouvidos de Salvatore. Irritado por se sentir traído, ele marca uma emboscada para Claude (acreditando que era ele quem estava dando em cima de sua esposa), ordenando que ele vá até um carro cumprir uma missão para ele. O carro estava pronto para explodir assim que fosse ligado.

Claude é avisado pela própria Maria, antes de chegar ao local. Maria avisa que Salvatore desconfia do caso dos dois, e entregou Claude para morrer nas mãos do cartel colombiano. Tentando salvar a vida de seu affair, ela bola um plano de fuga para ele e ela. Maria apresenta Claude a uma amiga de infância dela, a líder da máfia japonesa em Liberty City, Asuka Kasen.


Asuka Kasen é uma das líderes da máfia japonesa, Yakuza, em Liberty City. Ela é irmã mais nova de Kazuki, e a irmã mais velha de Kenji. Apesar de sua descendência japonesa, ela nasceu em Liberty City mesmo. Sempre viveu à sombra de seu irmão Kazuki, que era um líder da Yakuza. Aprendeu com ele a liderar sob pressão, a organizar táticas friamente e comandar tropas com punho de ferro. Após a morte de Kazuki em 1998 para Toni Cipriani, ela assumiu o comando da Yakuza na região de Liberty City, juntamente de seu irmão Kenji. Montaram uma base em Newport, uma região portuária de Liberty City, e começaram a tentar reorganizar a máfia japonesa, mas sem sucesso. Com as constantes guerras contra o cartel colombiano, a máfia veio perdendo mais e mais homens e influência nos últimos anos.

Asuka ajuda Claude a escapar de Portland através de uma lancha que ela deixou ancorada no cais. Eles fizeram uma fuga relâmpago para Staunton Island, uma ilha central no game, baseada na região portuária de Staten Island, uma ilha real que fica a sudoeste de Manhattan. Aqui, Claude irá praticamente recomeçar a sua vida, já que está marcado para morrer em Portland, odiado tanto pela máfia italiana quanto pela Tríade Chinesa e pelos Diablos. Asuka promete cuidar de sua amiga Maria, mas não se esquece de Claude. Ela lhe oferece abrigo, e também um emprego na Yakuza. Só que, antes de entrar na Yakuza, Claude precisa demonstrar que realmente não está mais a serviço da máfia italiana. Para provar isso, a primeira missão de Claude envolve voltar para Portland e assassinar Salvatore Leone.

Após matar Leone, Claude vai realizando algumas missões para Asuka. Em uma dessas missões, Claude acaba conhecendo um oficial da polícia norte-americana corrupto, chamado Ray Machowsky.


Ray Machowsky começou servindo no exército, lutando no Nicarágua, onde conheceu uma das figuras mais emblemáticas de todos os GTAs: Phil Cassidy. Ao sair do exército, entrou para o Liberty City Police Department. De policial comum, começou a subir de cargo, e conquistou um papel de significativa importância na segurança pública da cidade. Lutando contra o crime organizado, principalmente contra a máfia italiana, chegou a indiciar a Família Leone e até mesmo Toni Cipriani, criando muitas inimizades influentes. Até que então, cansado de ser um policial a serviço da lei, começou a traficar influência e informações para a máfia japonesa. Ray se tornou um mero informante da Yakuza, afiliado de Asuka e Kenji. Ele também entrega sua proteção e integridade física sob cuidados da Yakuza.

Ray fornece alguns trabalhos para Claude, sempre em seu local de encontros secretos, um banheiro público no Belleville Park, um parque que é uma sátira do mundialmente famoso Central Park. Ray ordena que Claude elimine alguns rivais dele, como uma antiga pedra no seu sapato, Leon McAffrey. Ele também cede importantes informações sobre o cartel colombiano. Quando ele descobre que está sendo indiciado pela CIA e procurado pela polícia federal, é Claude quem o transporta em segurança até o aeroporto Francis International, uma sátira do John F. Kennedy Airport, o maior aeroporto de Nova Iorque e um dos maiores do mundo. Machowsky consegue por fim fugir em segurança dos Estados Unidos.

Claude faz ainda muitas outras missões para Asuka, conquistando cada vez mais a sua confiança. Ela até mesmo chega a apresentá-lo a seu irmão, Kenji Kasen.


Kenji, assim como Asuka, nasceu em Liberty City também. Kenji sempre adorou seu irmão Kazuki, e sempre quis seguir os passos dele, para um dia se tornar tão forte e influente quanto ele. Como Kazuki era apaixonado por mulheres e bebidas, e tinha um cassino, após sua morte Kenji construiu um cassino exatamente no mesmo lugar em que Kazuki tinha o dele. A ideia era justamente seguir os mesmos passos. Apesar de que Kenji não tem nem metade da coragem e do espírito de liderança de seu irmão.

Kenji não confia muito em Claude, a princípio, e, sendo paranoico em relação a confiança, exige que Claude prova sua lealdade a ele. Para isso, Claude teve de invadir uma delegacia e libertar um velho amigo seu, chamado Kanbu, que estava preso. Kenji vai dando mais e mais missões a ele, geralmente envolvendo roubo de carros importados e de dinheiro lavado. Kenji também possui uma rixa pessoal contra uma pequena gangue local de arruaceiros jamaicanos chamada Uptown Yardies. A Uptown Yardies possui um pacto com o cartel colombiano e está ajudando a fazer a distribuição de SPANK na área. Claude ajuda a acabar com as ações da Uptown Yardies e ainda consegue impedir algumas transações do comércio de SPANK na região.

Realizando missões para Kenji, acabamos conhecendo um dos maiores magnatas da região, o gênio, bilionário e filantropo Donald Love:


Donald Love é uma sátira de Donald Trump Jr., filho do também bilionário empresário Donald Trump. Love começou sua carreira do zero, em meio a brigas de gangues entre haitianos e cubanos lá em Vice City, nos anos 90, quando também conheceu Tommy Vercetti. Após juntar uma considerável quantia de dinheiro, se mudou para Liberty City, onde começou sua brilhante carreira. Fundou a Love Media, uma empresa de comunicação que a viria se tornar uma das maiores e mais populares dos EUA. Juntando-se à máfia italiana, tentou concorrer à prefeitura de Liberty City, contando ajuda dos meios nada lícitos de Toni Cipriani e seus amigos. Mas perdeu a eleição, e, sem dinheiro, foi para Los Santos e montou uma cadeia de cassinos que lhe rendeu muita, mas muita grana. Cheio da grana, ele voltou para Liberty City e criou um império. Comprou diversas redes de televisão, muitas rádios, satélites, jornais e empresas do local. Em pouco tempo, toda a Empire City estava sobre seu comando indireto. Através de sua empresa de construção, o PanLantic Construction, ajudou a construir diversos prédios e monumentos que o tornou referência máxima no ramo e um dos maiores e mais excêntricos magnatas dos Estados Unidos. Mas suas alianças com a máfia e com o cartel colombiano sempre acabam lhe colocando em apuros, e ele tem de se virar para conseguir limpar as mãos e não perder sua notoriedade. Se bem que quem controla a mídia é ele mesmo, então...

Donald Love precisa de Claude para fazer alguns serviços para ele, mas sempre em troca de uma boa grana, claro. Em busca de valorização de terrenos e desocupação rápida de alguns lotes, ele pretende criar uma pequena guerra momentânea em Liberty City, entre o cartel colombiano e a Yakuza. Por isso, ele ordena que Claude mate Kenji Kasen, mas fazendo parecer que foi alguém do cartel colombiano. Assim, Claude e Love começam a criar uma verdadeira guerra entre os dois lados.

Após mais algumas missões, Love ordena que Claude vá buscar alguns pacotes de mercadoria ilícita que foi roubado pelo cartel colombiano. Chegando ao local, Claude se depara diretamente com Catalina e com Miguel. Catalina consegue fugir, mas Claude consegue capturar Miguel. Asuka chega ao local, e toma conta da situação. Asuka acredita que foi o cartel colombiano quem matou seu irmão Kenji, e está disposta a torturar Miguel até descobrir quem matou seu irmão. Ah, se ela descobrisse... Pelo menos agora Claude tem alguém que lhe ajude a chegar até Catalina.

Ao voltar até a casa de Donald Love, descobrimos que ele está desaparecido. Alguém matou Love discretamente e subiu com o corpo, ou ele fugiu para algum lugar. Não se sabe até hoje o que aconteceu com ele, de qualquer forma. Sob ordens de Asuka, Claude começa a minar as atividades do cartel colombiano cada vez mais. Claude consegue destruir diversos pontos de venda da droga SPANK em Liberty City (disfarçados como pequenas estandes de café expresso), e também destrói um carregamento de armas que estava prestes a chegar ao cartel.

Deixando o cartel cada vez mais fraco, estava tudo pronto para um ataque definitivo. Porém, antes que isso pudesse acontecer, ao voltar para a base, Claude encontra Asuka e Miguel mortos. Uma carta deixada no local revela a responsável: a própria Catalina! E tem mais: Catalina revela que sequestrou Maria. Ela exige que Claude leve 500.000 dólares limpos em uma maleta, sozinho e desarmado, diretamente até ela, em sua mansão que também serve como quartel-general do cartel colombiano. Basicamente, uma missão suicida. Mas que Claude aceita arriscar.

Claude faz como pediu Catalina, e segue desarmado e com a maleta contendo 500 mil dólares até a mansão de Catalina. Chegando ao local, no entanto, é óbvio que Catalina não iria deixar barato. Ela pega a maleta com a grana e se manda, ordenando que seus capangas eliminem Claude. Claude então começa uma perseguição atrás de Catalina, perseguindo-a até o alto de uma represa fortemente protegida por terroristas do cartel colombiano. Matando todos que aparecem pelo caminho, Claude consegue resgatar Maria. Catalina foge para dentro de um helicóptero. Ele ainda consegue pegar um lança-foguetes que se encontra ali do lado, e o usa para explodir o helicóptero de Catalina antes que ela pudesse fugir.

Com a morte de Catalina, finalmente a vingança de Claude está completa. Todos os líderes terroristas de Liberty City estão mortos, e a paz poderá voltar a reinar na cidade. Claude trouxe esperança para a cidade (apesar de que suas intenções não eram bem essas), e ninguém jamais descobriria quem foi o homem que causou tamanho caos na cidade, para depois libertá-la. Claude e Maria fogem da cidade, juntos, para viverem uma vida feliz para sempre. E a história termina por aqui. Espero que tenham gostado.

Sobre o jogo

Não há muito o que dizer. Vivemos em um mundo caótico e violento. Basta ler os jornais, assistir os noticiários e conversar com as pessoas para ver que há muitos crimes no mundo. O crime organizado vive à nossa porta, e as grandes corporações criminosas realmente comandam diversas cidades do mundo. Por uma questão ética (e até para manter a nossa sanidade), tentamos ignorar isso, mas essa é a verdade.
Tendo isso em mente, podemos pensar que temos visto muitas formas de expressão que utilizam dessa realidade. Músicas, filmes, pinturas, esculturas, documentários e até desenhos animados. Já não era tempo de se chegar aos games, não é mesmo? A violência existe desde os primórdios dos games, mas ela quase sempre foi amparada por questões morais. Se usamos uma arma para matar pessoas, é porque são bandidos, são pessoas "do mal", que estamos matando por um bem comum. Como em uma guerra, por exemplo. Matar centenas de soldados em um jogo de guerra não nos afeta mentalmente. Diferente se tivesse um jogo no qual poderíamos, por exemplo, matar qualquer tipo de pessoa. Criminosos, policias, pedestres, idosos, adolescentes, prostitutas, mendigos, homens de negócios, terroristas... Até pessoas comuns, como eu ou você. Esse tipo de jogo não poderia existir jamais. Pelo menos até então.
Isso se deve ao fato de que se pensa que os videogames são coisas de criança. Mas os gamers cresceram, e hoje em dia a maioria das pessoas com um console em casa já é maior de idade. Querem jogos que tenham acompanhado a evolução dos tempos. Se os filmes já começam a criticar e mostrar a realidade violenta do mundo, quanto tempo levaria até que um jogo de videogame mostrasse isso também? Foi mais ou menos pensando nisso que a Rockstar Games decidiu criar os jogos da franquia Grand Theft Auto.
Os jogos Grand Theft Auto, ou GTA, começaram em 1998, nos computadores e no Playstation. Nesse jogo, podíamos roubar, matar, atropelar pessoas, carregar drogas, assaltar bancos, torturar pessoas e literalmente provocar o caos. Apologia a violência? Seria, se o jogo não fosse claramente voltado para pessoas racionais. GTA não é para pessoas fracas que não suportam ver sangue, ou que tenham sérios problemas psicológicos. É feito para pessoas que tenham raciocínio suficiente para discernir realidade da ficção, tomar decisões e aceitar uma crítica dura e cruel sobre o mundo que o cerca. GTA começou a trilhar um caminho perigoso, repleto de inimigos políticos e civis, que acusavam o game de ter violência explícita demais, e de deturpar a psique das pessoas que jogavam. Alguns jovens (em sua maioria de idade inferior à recomendada para se jogar o game legalmente) passaram a cometer crimes inspirados no jogo. Seria o começo de uma guerra contra a ética e a censura. Milhares de pessoas corriam o risco de deixar de poder apreciar um produto porque meia dúzia de pessoas alegou ter usado o jogo como base para crimes reais. Diversos países no mundo passaram a proibir esses jogos. Mas, ainda bem, eles ainda existem.
E assim, a franquia GTA chega finalmente ao seu terceiro game. Dessa vez, a Rockstar Games veio disposta a realmente "chutar o pau da barraca". Estamos diante de uma obra de arte. A empresa revolucionou todo o mundo dos games com algo nunca antes visto. Estávamos diante de um novo parâmetro para os games. Uma nova percepção sobre a realidade. Uma nova visão sobre o entretenimento. E, quem diria, talvez um dos mais aclamados e polêmicos jogos de todos os tempos.
Em Grand Theft Auto 3, controlamos um criminoso sem escrúpulos. Um homem que é capaz de fazer qualquer coisa para viver, e seu dia-a-dia envolve realizar missões para cartéis de drogas, terroristas, chefes de crime organizado e cafetões. Uma pequena fração da imensa escória da sociedade, mas plenamente competente naquilo que faz. Com nada para perder e muito a ganhar. Até aí, nada que seja muito diferente dos GTAs anteriores. Mas esse jogo é bem diferente de todos os outros games da série (na verdade, de todos os outros games já vistos), e eu vou explicar porquê em partes.
Vou começar pela perspectiva de visão. Até então, estávamos acostumados a jogar com a perspectiva de cima, já que era a única forma de se colocar cidades imensas para trafegar sem loading e sem sobrecarregar o jogo. Não havia hardware para se fazer cenários urbanos decentes anteriormente, e, ou se fazia como Driver fez, cidades grandes e quadradonas, ou teria de ser visto de cima mesmo. Mas, no Playstation 2, esse problema não existia mais, e a DMA Design conseguiu aplicar a visão em terceira pessoa para o jogo. Ficou realmente excelente essa visão em terceira pessoa, prática e eficiente. Mas o quê, você preferia a forma antiga? Não tem problema, pois no jogo dá para mudar o ângulo de visão a qualquer momento, e a perspectiva de cima está disponível desde o começo. Tem ainda a perspectiva recuada e a perspectiva cinematográfica. Ah, e eu comentei que dá para se enxergar o que está à sua volta em primeira pessoa também, de forma simples? Pois é, tem ângulo de câmera para agradar todos os gostos.
Falando em ângulo de câmera, não é possível realmente controlar a câmera no jogo. Ficamos sempre mais ou menos presos a uma visão limitada à perspectiva do personagem. A câmera vai acompanhando nossos movimentos conforme nos movemos. Mas ela não nos deixa na mão, reduzindo as chances de batermos com o carro por não ver o que tinha na curva, por exemplo. Quando damos ré, também, por exemplo, a câmera automaticamente mostra o que há atrás de nós, também. Em si, não há muito o que reclamar do trabalho de câmera não, já que está bem objetivo e eficiente.
Agora, vamos falar sobre a cidade. Mais uma vez, trata-se de uma recriação cômica de uma cidade de verdade. Ao invés de usar versões diminutas de várias cidades reais, a DMA Design optou por fazer uma única cidade, só que bem maior e mais detalhada. A escolhida da vez foi Nova Iorque, que se tornou Liberty City. A recriação está longe de ser perfeita, mas está muito boa. Liberty City é enorme, uma cidade realmente grande para os padrões do jogo em terceira pessoa, apenas se comparando a jogos como Driver 2, do Playstation. Liberty City se divide em três áreas distintas: Portland, uma área pobre e portuária repleta de prostituição, gangues de rua, lotes e casas de baixo nível, inspirada nas regiões de Brooklyn e Queens; Staunton Island, uma área comercial onde ficam os maiores arranha-céus, as empresas e toda a boa vida noturna da cidade, baseada na ilha central de Manhattan, Staten Island; e Shoreside Vale, uma área mais isolada e residencial, própria de grandes casarões milionários e blocos de apartamentos populares, baseada em Nova Jérsei, Bronx e um pouco em Long Island. Apesar das muitas referências a diferentes localidades e cidades, Liberty City remete mesmo é a Nova Iorque, e conta inclusive com diversos pontos de referência que são versões satirizadas de pontos reais, como Torrington (baseado no Manhattan Financial District), Bedford Point (Times Square), Belleville Park (Central Park), 366 Building (idêntico ao 500 Fifth Avenue Building, famoso cartão-postal de Nova Iorque localizado na Quinta Avenida), Liberty City Community College (Columbia University), entre outros pontos reconhecíveis. Até o nome dos bairros e dos distritos são versões satirizadas dos nomes reais.
E a cidade está tão realista que parece vívida. Cada região da cidade possui um aspecto, que se traduz pelo tipo de pessoas que vivem nela e pelos veículos que circulam nela. Na área industrial, verá mais furgões, táxis e carros comuns. Já nos grandes centros, verá engarrafamentos nas avenidas, repletos de carros importados, limusines e conversíveis de luxo. Verá pessoas bem vestidas nas grandes avenidas, assim como mendigos nos parques e embaixo das pontes, prostitutas nas zonas mais emergentes, e um número maior de bandidos e criminosos nas áreas mais afastadas. Verá o sol raiar e se por, tudo de acordo com um relógio interno no jogo, no qual cada segundo equivale a um minuto. Verá o clima mudar, podendo fazer muito sol, chover ou garoar, dependendo de sua sorte. O trânsito também muda, um dia as estradas estão repletas de carros, no outro estão simplesmente livres. No horário de pico, até dar uma volta pela cidade pode se tornar mais difícil do que o normal. Tudo para se parecer com a cidade mais badalada do mundo, Nova Iorque, ou melhor, Liberty City.
Para não se perder indo de um lugar para outro, há um pequeno mapa sempre disponível no canto inferior esquerdo do mapa. Ele mostra uma visão topográfica da cidade, com ruas, avenidas e estradas. Perfeito para traçar rotas. O radar ainda indica a localização de pontos-chave, como a sua casa, os alvos nas missões, inimigos na tela ou outros locais de interesse. Vale sempre apena olhar o mapa. Se esse pequenino mapa não lhe serve, saiba que o jogo vem com uma cartilha que traz o mapa da cidade inteira em forma de pôster, para a sua consulta a qualquer instante. Mas não há um mapa da cidade completa dentro do jogo.
É claro que a cidade inteira não se encontra disponível logo de cara. De começo, apenas a região de Portland está disponível, e todas as vias de acesso para as outras ilhas estão obstruídas com a intenção de impedirem o avanço precoce do jogador, e com o pretexto de estarem "sendo construídas". Conforme se realiza mais missões, e a história vai progredindo, novas áreas vão aparecendo para serem exploradas. Pode-se migrar de uma ilha para outra de carro, usando as pontes, estradas ou auto-vias, o rápido e eficiente sistema metroviário ou a via marítima. Chegou a hora de falar dos veículos.
A maior habilidade do jogo é a de dirigir. Como passamos mais da metade do tempo de jogo dirigindo, conhecimentos de games de corrida não vão nada mal aqui. É claro que o jogo não possui comandos tão realistas assim, de modo a não se querer passar por um simulador de direção e perder clientes, mas o jogo abre espaço para quem realmente gosta do volante. Há uma boa variedade de veículos, indo de picapes a 4x4s, de sedans casuais a conversíveis luxuosos, de carros esportivos a táxis, de caminhões de carga a ônibus municipais, de limusines a jipes, de ambulâncias a viaturas, de furgões a tanques de guerra. São mais de 55 veículos diferentes, cada um bem detalhado, e com direito a um controle próprio que simula sua velocidade, sua aceleração, sua facilidade para realizar curvas, resistência a dano e aderência ao asfalto. A ideia é tentar simular o melhor possível cada veículo. Um carro esportivo pode correr muito mais, mas pode perder o controle facilmente e ser destruído com mais facilidade, enquanto um carro mais robusto, como um furgão, pode ser bem mais lento, mas é mais resistente a danos e virar melhor. Conhecer bem cada tipo de carro faz toda a diferença nas missões.
As motos, presentes em jogos anteriores, foi retirada, mas em seu lugar entrou os barcos. Agora, podemos também pilotar barcos, pequenos iates e lanchas para trafegar entre uma cidade e outra. Há alguns modelos disponíveis, com velocidades diferentes para cada (tem até um modelo de monitoração da costa marítima). O sistema de controle dos veículos marítimos é idêntico ao dos veículos terrestres.
Como já foi dito, não é nenhuma dificuldade dirigir os veículos. Com uma simulação bem básica dos modelos reais, é relativamente fácil dirigir os carros. Ter uma noção sobre como acelerar e brecar nas curvas ajuda bastante, principalmente quando se está querendo dirigir em alta velocidade para fugir da polícia ou de gangues rivais. Noções de direção defensiva (e ofensiva) também ajudam em algumas partes, mas não é nada que seja imprescindível para se jogar o game. Em si, o comando é fluido e se encaixa muito bem, de modo que é fácil pegar o jeito. Em pouco tempo de treino, já estará arrepiando pelas avenidas, desviando do tráfego na contra-mão em alta velocidade e ainda dando drifts e cavalos de pau.
Dentro do veículo, muito pode ser feito além de acelerar, frear e fazer curvas. Dá para olhar para os lados e até mesmo para trás. Dá para buzinar, chamando a atenção das pessoas. À noite, o farol se acende sozinho.  É possível transportar pessoas, seja em missões ou casualmente, como por exemplo quando pegamos clientes em um táxi ou quando levamos uma prostituta para um local mais reservado, de modo a poder ter alguns momentos de trabalho particular. É possível usar as armas para atirar para os lados, de dentro do veículo mesmo. Dá para usar pistolas ou submetralhadoras. Perfeito para assassinar pedestres ou carros que estejam paralelos ao nosso carro. E, claro, não podemos nos esquecer das estações de rádio.
Uma das coisas que mais chama a atenção no jogo são as estações de rádio. As estações são praticamente o que compõe a trilha sonora do jogo, já que o jogo em si não possui trilha sonora. Como passamos boa parte do tempo nos veículos, eles servem de distração e entretenimento. Há várias estações disponíveis, de acordo com o estilo de música. Gosta de Pop Music? Reggae? Rock? Música eletrônica? Jazz? House Rap? Disco? Música clássica? Hip-hop? Está tudo aqui, tem estação para tudo quanto é gosto. Basta ir trocando as estações até chegar naquela que preferir. Ou, se não quiser ouvir nada, desligue o rádio e pronto. Mas estará perdendo um verdadeiro show de diversão. As rádios foram muitíssimo bem feitas, e, além das músicas, têm tudo o que uma rádio de verdade tem de ter: comerciais, promoções, programas alternativos, entrevistas, anúncios sobre o tempo ou o trânsito, notícias diversas e até "seleção das mais tocadas". Você se sente ouvindo uma rádio de verdade, e, como a DMA Design se deu ao trabalho de contratar pessoas só para fazer os serviços de locução, tudo ficou muito real. Tem estações que só tocam programas de piadas e entrevistas, por exemplo. É uma variedade imensa. E vale lembrar que há uma bela mistura entre músicas reais, famosas e tal, e outras originais que foram feitas especialmente para o jogo. Há ainda uma estação de rádio que só toca as músicas tema do filme Scarface, de 1983, um dos filmes que inspiraram o jogo. Um verdadeiro show de inovação, dedicação e profissionalismo.
Para avançar no jogo, o personagem tem de realizar missões. Basta ir até um ponto demarcado de encontro, e a pessoa que está lhe dando a missão (geralmente um criminoso, grande empresário, chefe de máfia ou policial corrupto) dirá o que tem de fazer. As missões vão variando, desde transportar pessoas e coisas de um ponto a outro até assassinar pessoas, plantar bombas, destruir prédios, resgatar reféns, coibir o tráfico de drogas, e por aí vai. As missões vão ficando cada vez mais difíceis conforme se avança, com mais desafio conforme mais inimigos começam a entrar na parada. A curva de dificuldade do jogo é bem íngreme, e, antes de perceber, já estará tendo de eliminar exércitos inteiros de oponentes e de escapar da FBI e da SWAT para conseguir completar as missões.
A cada missão completada, ganhamos uma quantia de dinheiro, novas missões, mais respeito dentro de uma determinada gangue (e consequentemente mais ódio das gangues rivais a ela) e às vezes um ou outro item. O conceito de "respeito" dentro de uma gangue no game é menos implícito do que nos GTA anteriores, que continham até mesmo medidores de respeito para cada gangue ou grupo. Aqui, por ter menos gangues do qual podemos participar ou enfrentar, e sempre apenas uma por vez, não há necessidade desses medidores. Às vezes, fazemos missões para gangues rivais entre si, ou seja, cuidado ao realizar as missões. Se uma missão envolver matar o líder de uma gangue rival, por exemplo, saiba que, se completá-la, irá deixar de receber missões daquela gangue, por exemplo. Pura questão de lógica, que pode acabar dificultando seu progresso no jogo se não tomar cuidado.
Também é bom ter ciência de por onde anda. Como cada gangue possui um território bem demarcado na cidade, passar pelas zonas de gangues rivais realmente pode complicar bastante sua vida na cidade. A área de Chinatown, por exemplo, é protegida pela gangue da Tríade Chinesa. Quanto mais missões fazemos contra a Tríade, mais ódio recebemos daquela gangue, até chegar ao nível insuportável no qual não conseguiremos passar por Chinatown sem recebermos uma saraivada de balas por todos os lados. Tenha isso em mente quando realizar as missões.
Nem todas as missões do jogo são obrigatórias, também é bom ressaltar. Há missões que são essenciais para se avançar a história, e ir conhecendo novos personagens (que vão nos dando novas missões, e por aí vai a progressão no game), mas também há missões extras que não são necessárias e que podem ser completamente ignoradas sem nenhum problema. Fica a critério do jogador escolher se quer realizá-las ou não, mas saiba que elas podem render muitos itens e muita grana.
A ideia do jogo é basicamente fazer dinheiro. Para isso, a melhor forma é mesmo realizar as missões do jogo. Mas as missões não são a única forma de se conseguir dinheiro. Há diversas outras formas. O jogador pode assaltar pessoas, por exemplo, matando-as e roubando os poucos trocados que eles têm. É pouco, mas constante. Dá para encontrar itens espalhados pelo jogo, e realizar os mini-games de Rampage, Toyz Cars ou Stunt Jumps, que também rendem grana. Levar carros para serem demolidos também valem dinheiro. Não há sistema de acúmulo de pontos ou de multiplicadores, como nos primeiros GTAs, mas ainda dá para fazer verdadeiras fortunas em pouco tempo. Dá, até mesmo, para trabalhar! Isso mesmo. Se estiver sem grana para comprar alguma arma ou coisa e tal, que tal pegar um táxi e começar a rodar a cidade pegando passageiros, como se fosse um taxista comum? É possível, e recebemos dinheiro normalmente. Dá para ser bombeiro, apagando incêndios, ou ser médico, salvando vidas, ou ainda, porque não, um policial, matando criminosos pela cidade. Esses trabalhos são feitos em forma de mini-games, e também vão ficando cada vez mais difíceis e mais rentáveis. Com algum hábito, poderá ficar rico trabalhando de forma honesta.
Apesar de termos tantas formas de ganhar dinheiro, há poucas formas de gastá-lo. Essa pode ser uma das queixas da maioria das pessoas. Só há uma coisa que pode ser comprada no game: armas. A grande maioria do dinheiro que ganhar com certeza terá como destino a AmmuNation, onde comprará de tudo, de pistolas a rifles, de escopetas a metralhadoras, de granadas a coletes. Mais armas e itens vão sendo liberados conforme se prossegue. Você também precisa de dinheiro para pintar o carro ou plantar bombas nos carros, mas é uma pequena quantia, e nem sempre será usada. Na grande maioria do tempo, estará gastando tudo em armas e munição.
O personagem possui uma barra de vida, que vai esvaziando conforme se toma dano. Caso o jogador "morra" no jogo, ele apenas desmaia e reaparece no hospital mais próximo, sem armas e sem um pouco de dinheiro. É possível encher vida pegando corações ou saindo com prostitutas (pegue uma prostituta e leve-a a um local mais afastado. Durante o serviço, verá sua vida encher aos poucos, mas não se esqueça de que tem um preço).
Isso vale para os carros também. Não é porque está dentro de um carro que estará seguro do perigo. Afinal de contas, o carro também toma danos e pode explodir. Conforme causa acidentes ou toma dano, verá o carro ficando cada vez mais amassado, verá o capô abrir, sair fumaça, os vidros quebrarem, e tudo o mais. Os inimigos poderão atirar nos pneus do seu carro, obrigando-o a trocar de veículo o quanto antes. Tudo em nome do realismo. Isso se não explodirem seu carro na hora, com bombas.
A polícia sempre perseguirá o personagem. Quanto mais desordem causar na cidade, mais atenção atrairá da polícia, e mais viaturas terá em seu encalço. A atenção da polícia é medida no jogo através do número de estrelas. A polícia possui cinco níveis de atenção. Com uma estrela, apenas uma viatura irá segui-lo, e perderá seu rastro fácil. Com duas estrelas, ele chamará reforços. Com três estrelas, viaturas virão de todos os lados, e eles começam a bloquear avenidas, além de atirarem em você. A partir de quatro estrelas, já começam a usar helicópteros na perseguição, e a montar verdadeiros esquemas anti-fuga, além de usarem armas de grosso calibre. Com cinco estrelas, eles terão total ordem para matá-lo à primeira vista, e contarão com apoio da tropa de choque da SWAT, então é bom correr. Dá para despistar a polícia, mas não será tão simples. Se for pego, a qualquer momento, será preso na hora. Caso o jogador seja preso (algo comum quando se está muito visado na área), ele irá reaparecer na delegacia mais próxima, sem armas e com menos dinheiro. Já para escapar da polícia, podemos pegar as estrelas de propina espalhadas pelas cidades ou parar em um Pay N' Spray para pintar nosso carro e trocar a placa, passando a ser ficha limpa imediatamente. Se souber escapar da polícia, poderá escapar apenas se afastando e se escondendo por algum tempo. Mas saiba que a polícia especializada irá persegui-lo com muito afinco. Nem para o mar poderá fugir, já que eles contam ainda com lanchas especiais armadas e tudo.
O jogador possui um esconderijo em cada cidade. No esconderijo, terá a vantagem de que a polícia e nem as gangues rivais entram. Poderá guardar carros na garagem, de modo que poderá recuperá-las, se estiverem danificá-las, e pegá-las mais tarde. Excelente para guardar um carro que prefira e não gostaria de perder. E o mais importante: é no esconderijo que se salva o jogo! Pode salvar o jogo a qualquer hora (exceto em missões), e o tempo de jogo avançará seis horas ao fazer isso. Conforme se avança, novos esconderijos são liberados, sempre maiores e com mais espaço na garagem para mais carros.
É sempre bom ressaltar que a grande graça de GTA é a liberdade que ele proporciona para o jogador. A cidade é enorme, e tem muita, muita coisa para se fazer. Além dos mini-games já citados, e dos empregos "honestos" que podemos realizar, há ainda outras coisas, como missões extras, guerras de gangue e itens escondidos para se encontrar. Há muitos locais secretos para se encontrar, alguns realmente quase impossíveis de se chegar, mas com easter eggs que os fãs adoram. É claro que, por ser centrado em missões, o jogo exige que complete algumas missões para avançar no jogo, mas, de modo geral, não é realmente obrigado a nada. Faça o que bem entender, faça as missões se quiser, e, se não quiser, apenas saia pela cidade e faça o que lhe der na telha. Tem muitas coisas para fazer mesmo.
Espalhados pelas cidades, há 100 Hidden Packages. São apenas itens de remessas de drogas que servem como os itens colecionáveis do jogo. A cada 10 itens desses que coletamos, uma nova arma nos é disponibilizada defronte nossos esconderijos. Coletar todas as 100 nos garante muita grana, e, claro, quantidade infinita de munição para todas as armas do jogo. Bacana, não? Mas não pense que será fácil: muitos desses itens se encontram em locais realmente difíceis, e precisará de muita atenção e perspicácia para encontrar todos eles. Além de arriscar a sua vida diversas vezes.
Um mini-game que voltou dos GTAs anteriores é o Rampage. Aqui, temos um pequeno objetivo: matar um número determinado de pessoas ou veículos usando uma arma específica (e com munição infinita) dentro de um tempo estipulado. São mini-games casuais e divertidos, nada essenciais para o jogo, mas realmente contraditórios. Vale a pena realizá-los, pois rendem um bom dinheiro.
Também voltaram os Stunt Jumps. São aqueles pulos enormes que podemos realizar, de rampas específicas, geralmente passando por cima de pontos turísticos ou locais arriscados. Há rampas desse tipo espalhadas por toda a cidade, e vale a pena ter um carro rápido só para saltá-las. Os pulos são arriscados, e, ao fazê-las, verá o salto em câmera lenta e em um ângulo todo especial. É divertido. E ainda por cima rendem um bom dinheiro, que é multiplicado pelo tempo que ficou no ar.
E há mini-games novos na parada! Sã os Toyz, carros de brinquedo armados com explosivos. Cause o máximo de dano que puder usando essas coisinhas fofas e barulhentas pela cidade, destruindo veículos-alvo em um tempo estipulado. São bem divertidos e interessantes. Só tome cuidado para não se explodir.
Além do mais, uma coisa que sempre será a marca registrada de GTA é a forma como eles tentam deixar o jogo o mais realista possível. E isso se percebe nos detalhes. O personagem pode se cansar de tanto correr, e ficar arfante. Alguns carros podem estar simplesmente trancados, e outros possuem alarmes altos que chamam a atenção da polícia. A maioria dos habitantes da cidade são comuns, mas há ainda outros que podem interagir, como as prostitutas, os membros de gangue, ou outros ladrões de carros, que podem nos tirar de nossos carros. Alguns motoristas mais esquentadinhos podem realmente querer sair na mão conosco por causa de alguma desavença, enquanto outros irão sair correndo só de chegar perto.
Viu só quantas coisas se tem para fazer? Pois é! São tantas missões, sub-missões, missões alternativas, mini-games, itens escondidos, segredos... Muito do jogo é opcional, mas as coisas opcionais estão entre as mais divertidas do jogo. Jogar GTA só por causa das missões principais não equivale a nem 25% da diversão. O game foi feito para ser literalmente explorado. E ele recompensa do jogador por isso: há um medidor de porcentagem do game, e ele vais e enchendo conforme realizamos tudo o que temos para fazer. Só não pense que é pouco: se pretende fazer 100% em GTA 3, dedique pelo menos umas 60 horas de sua vida a essa missão, pois será dose. O jogo é imenso e muito detalhado. Só para fechar, realizando apenas as missões principais e nada mais, são umas 15 horas de jogo. Não ganhamos nada por termos 100%, em si, mas é sempre bom olhar para trás e vermos que conseguimos aproveitar ao máximo tudo o que um jogo da magnitude de GTA 3 teve para nos oferecer! Infinitamente divertido, empolgante e viciante, do começo ao fim, além de deliciosamente enorme!

Minha análise do jogo

Gráficos
Grand Theft Auto 3 sofreu uma brutal transformação apenas com a passagem para o 3D. As cidades, que já eram imensas e completamente exploráveis, continuaram assim, só que ainda maiores, mais imersão e um nível de detalhes assombroso. O que a DMA Design conseguiu fazer é algo indiscutível: GTA 3 é um belíssimo jogo, e muitíssimo bem construído. A cidade é imensa e detalhada, repleta de detalhes, e só há loadings entre uma cidade e outra. A alteração na perspectiva trouxe uma dimensão ainda maior no jogo, algo até então não visto. A animação dos personagens é toda cartunesca, e apresenta versões de caricatura nas feições e movimentos dos personagens. A animação dos personagens não está ruim, mas também não é a melhor do mundo. Nem daria: são tantos personagens juntos na tela que ficaria complicado dar muitos detalhes a cada. No entanto, há muitos detalhes nos personagens, e, o melhor de tudo: um estilo. Todos os personagens do jogo são caricatos, e criados com um estilo próprio, na ideia de criar uma imagem carismática de cada um deles, tentando afirmar uma identidade que serve como uma crítica a alguns elementos da sociedade. Isso combina e muito com o jogo, que passa uma mensagem interessante de sátira e de crítica contemporânea. Vale lembrar que muitos personagens são versões satirizadas de pessoas reais, como Donald Love, por exemplo, que é uma versão satirizada de Donald Trump Jr. A mecânica e definição dos carros e veículos estão mais aprimorados que os personagens em si, e isso serve para compensar ao outro, já que passamos quase tanto tempo dirigindo quando andando e tal. Os veículos ficaram muito bem desenhados e detalhados. Além disso, o mundo do jogo é tão bonito de se ver, diverso, detalhado, e com tantos efeitos especiais, inclusive alterações climáticas, que não tem como não ficar boquiaberto com o modo como a DMA Design conseguiu criar um mundo incrivelmente realista. Quando se está parado, o jogo transborda beleza e capricho visual. O problema é quando se acelera pelas ruas, e podemos perceber alguns dos defeitos (que todo jogo tem), como por exemplo parte dos cenários e das texturas que vão se construindo a olhos vistos. Ver essa construção pode dar uma rebaixada na impressão deixada pelo jogo, mas o aspecto geral é de que estamos diante de um empenho fora de série no quesito visual do jogo. O empenho que a DMA Design teve com a parte gráfica do jogo foi excelente.
● Nota pessoal: 4/5 (Empenho Excelente)

Som
Se for olhar do ponto de vista certo, chega a ser quase que covardia analisar o desempenho sonoro desse game. A DMA Design não necessariamente montou uma trilha sonora para o jogo, ela montou várias. As músicas do jogo (salvas exceções) são representadas pelas estações de rádio, e são várias delas, abrangendo vários estilos de música. Quer você goste de rock, pop, techno, reggae ou funk, não tem como não achar alguma música que goste nesse game. Coloque na sua estação de rádio predileta e aproveite. Fica quase impossível não conquistar o público assim! A seleção das músicas e das composições, entre músicas reais e composições próprias para o game (assim como as entrevistas, comerciais e programas diversos da programação das rádios) ficou exemplar, e o mérito vai para os muitos profissionais que trabalharam para que o trabalho ficasse tão caprichado. Agora, deixemos as estações de rádio. As músicas originais do game também são muito boas. A dublagem dos personagens está insana e cômica, e feita de modo a causar todo tipo de reação, desde escárnio até crises de riso. Os sons ambientes do jogo, o som dos tráfegos, das buzinas, dos motores, da água, dos tiros, das explosões, das batidas, enfim, tudo, está muitíssimo bem feito e não deixa nada a dever para nenhum outro game do gênero. Enfim, não tem muito o que dizer. A DMA Design fez um trabalho impecável, não tinha nem muito o que ela pudesse ter errado. Ela deu uma aula de como conquistar todo e qualquer tipo de púbico pela parte sonora de um jogo de videogame.
● Nota pessoal: 5/5 (Empenho Máximo)

Jogabilidade
Grand Theft Auto 3 possui como foco os carros, assim como manda a franquia. A direção dos carros ficou da forma como poderíamos esperar em um jogo dessa geração: realista, contundente e simples. É possível controlar e manobrar os carros de forma fácil, não sendo necessário muito conhecimentos de direção (se bem que um pouco de prática em jogos de corrida ajudaria bastante em algumas missões). Cada tipo de veículo se comporta da forma como se comportaria na vida real, já que o desempenho dos veículos foi totalmente baseado nos modelos reais. Fora do carro, também foram incrementados os comandos básicos de Third-Person Shooter. Claude é capaz de correr, atirar, usar vários tipos de armas diferentes, interagir com o cenário à sua volta... Como cada arma possui um sistema de mira diferente, os tiroteios podem ficar mais fáceis ou mais difíceis dependendo da arma. Como um todo, o sistema de mira automática funciona muito bem, se bem que uma padronização no sistema de mira e um indicador de disparo para projéteis, como granadas ou coquetéis molotov, não seria nem um pouco mal... Mas não é nada que comprometa os momentos de tiroteio, então não é nenhum fator negativo. Os comandos de exploração de cenário também foram medidas muito bem-vindas à série (Claude pode literalmente escalar ambientes, pular obstáculos, subir escadas e tudo o mais, tudo para poder alcançar os locais mais afastados do cenário). O controle sobre a câmera não é direto, como poderia ser, mas a câmera acompanha bem o personagem. Podemos usar a visão em primeira pessoa, e, de quebra, ainda podemos mudar a perspectiva do jogo para alguma que nos agrade mais, entre as várias disponíveis (tem a perspectiva de cima, clássica da série, incluída). Enfim, diante de sua multiplicidade de estilos, o que exige uma diversidade grande de movimentos, a DMA Design conseguiu aplicar comandos muito bons e específicos para todos os setores, seja nos momentos de troca de tiros, nas fugas alucinantes da polícia ou na exploração da enorme Liberty City. Ela soube aplicar muito bem os recursos que lhe foram disponíveis. Empenho máximo com a jogabilidade.
● Nota pessoal: 5/5 (Empenho Máximo)

Longevidade
Um dos pontos fortes do jogo, podemos dizer que foi algo que permeou a mente da DMA Design por praticamente todo o tempo de produção. Sim, porque a impressão que fica é que o jogo foi feito para ser enorme. Gigantesco e magnânimo em vários sentidos diferentes, o jogo apresenta uma quantidade absurda de conteúdo. São muitas missões principais, mais um punhado de sub-missões, e algumas mais missões alternativas opcionais. Só isso já tomará um tempo enorme de jogo do jogador. Jogadores mais rápidos e "diretos ao assunto" poderão levar apenas 15 horas para fechar o jogo, enquanto os mais cautelosos ou iniciantes levarão cerca de 20 ou 25 horas. Isso porque as cidades são imensas. Mas não podemos nos esquecer que, além de enormes, as cidades são completamente exploráveis, e repletas de extras. Caso o jogador queira realizar os trabalhos, coletar os Hidden Packages, fazer os Rampages, Stunt Jumps, Toyz... Posso colocar, digamos... Umas 60 ou 70 horas de exploração? Caso você seja do tipo que gosta de usar detonados e guias para ajudar... Que tal umas 50 horas? Sim, pelo menos umas 50 horas só para fazer 100% no jogo, e isso se você for seguir um guia auxiliar. É muito conteúdo, é muita coisa para fazer. Não é à toa que reza a lenda que os jogos da série GTA estão entre os mais complicados para se fazer 100% entre a maioria dos jogos da história. Isso se deve ao absurdo número de coisas que o jogo impõe para o jogador fazer. Mas claro, nada é realmente obrigatório. Você leva todo esse tempo se quiser. Mas o pior é que você vai querer: o jogo te leva a isso. Além de tudo, GTA 3 ainda é viciante, e, quando for menos esperar, estará vasculhando pela cidade em busca das muitas coisas para fazer, ou gastando horas e horas só levando passageiros de táxi ou apagando incêndios com o carro de bombeiros. Referência em longevidade dentro de seu gênero por muitos anos, não tem como ter sido melhor do que já está. O empenho com a longevidade foi máximo.
● Nota pessoal: 5/5 (Empenho Máximo)

Inovação
Grand Theft Auto 3 veio para relembrar uma franquia que já fazia sucesso, mas que se encontrava empacada por tentar ser grande e sensacional dentro de muitas limitações técnicas de uma época que não comportava a magnanimidade de um jogo desse porte. Muitos se perguntavam "o que seria de GTA se eles tivessem condições de fazer um jogo tão grande e completo quanto eles querem fazer e não podem?". Bom, a resposta veio com GTA 3. Agora, eles podem fazer o jogo que sempre quiseram fazer. Têm tecnologia de sobra para deixar o jogo nos moldes de seus sonhos. E eles fizeram um dos jogos mais revolucionários dos últimos tempos. Desde Shenmue, a criação de um jogo em mundo aberto não parecia mais algo tão real, cativante e imersivo quanto o que podemos presenciar nesse jogo. Ele praticamente inaugurou um gênero, o Open-World Action, que contava com elementos já presentes em outros jogos, mas nunca mesclados e trabalhados dessa forma. As raízes já estavam presentes nos primeiros jogos da franquia. Bastou mudar a perspectiva do jogo de cima para uma em terceira pessoa para poder mudar substancialmente o jogo. A DMA Design conseguiu agradar uma grande massa (que ficava com um pé atrás para jogar um jogo visto de cima), mostrando ao mundo que a empresa não está para brincadeira. Trata-se de um dos maiores e mais ambiciosos projetos já feitos para os games. O jogo é imenso, é intenso, é profundo, é imersivo, é variado, é engraçado, é totalmente multifacetado. Oferece um universo incrível, com total liberdade de exploração, que recria o nosso mundo sobre uma ótica devassa e satírica, mas que serve como uma crítica de forma geral para o comportamento humano em sociedade. Um jogo realmente polêmico e violento, mas que usa de sua violência com um fundamento bem explícito: alcançar um patamar que nenhum outro jogo jamais alcançou. GTA 3 é capaz de simplesmente puxar quase qualquer jogador (contanto que seja maior de idade, claro!) para se sentir imerso em seu universo impressionantemente real. Tudo isso é algo único em jogos do gênero, e serve como parâmetro base para a formulação de jogos desse tipo no futuro. O empenho que a DMA Design teve em ser inovador com esse game extrapolou diversos limites até então imaginados para os games.
● Nota pessoal: 5/5 (Empenho Máximo)

Diversão
Grand Theft Auto 3 foi feito pensado em um público mais adulto, mais moderno e mais receptivo a mudanças. Não é todo mundo que pode jogar esse jogo, pois ele apela demasiadas vezes para elementos que são geralmente usados contra o jogo na mídia e em processos judiciais, como violência explícita, apologia ao sexo, às drogas e ao crime. Se você tem a mente fraca, intolerância a certos temas ou apenas não gosta de se envolver com esses lances mais underground, mesmo que de forma fictícia. Cada um em seu direito. Agora, se estiver a fim de conhecer esse jogo, deixando de lado esses temas, (ou mesmo por causa desses temas), encontrará aqui um dos jogos mais imersivos, divertidos e viciantes dos últimos tempos. GTA 3 é imenso. Além de ser imenso e totalmente explorável, ele possui um ritmo sensacional de jogo, dando ao jogador a liberdade de escolher seu rumo de ação da forma como bem entender. As missões são variadas, e o background de cada missão faz com que elas tenham sentido (quer dizer... Algumas delas) e se unam umas às outras. Dentro de toda a sua variedade de missões, o uso alternado de carros e barcos, mesclados com altas perseguições policiais e intensos tiroteios entre gangues fazem parte. As missões possuem uma dificuldade crescente que exige cada vez mais do jogador, e torna o jogo mais desafiante. As missões principais são a alma do game, e o que faz a história avançar (e novos locais se tornarem disponíveis), mas é a liberdade que faz com que o jogador se sinta realmente imerso na jogatina. Poder escolher as missões que ai fazer, poder fazer missões alternativas, explorar a cidade atrás de itens ou outros locais, ver como cada área da cidade de comporta de forma diferente, e ainda poder simplesmente fazer o que quiser, zoar, trabalhar honestamente (ou quase) ou apenas sair destruindo tudo... GTA 3 concede ao jogador a liberdade pura e simples todo o tempo, e com certeza esse é o charme que faz com que o jogador se sinta literalmente "em casa". Não será difícil se ver "esquecendo as missões" e passar algum tempo apenas passeando pela cidade, coletando itens ou admirando a paisagem. É como eu afirmei, o jogo possui elementos que podem não agradar a todos. Mas também possui um sistema de jogo e uma liberdade imersiva que é capaz de viciar praticamente qualquer tipo de gamer. O empenho que a DMA Design teve com a diversão desse jogo foi realmente máximo, algo extraordinário.
● Nota pessoal: 5/5 (Empenho Máximo)

Soma Final: 29/30 (Excelente)

Em resumo: A Rockstar Games não gosta de colocar seu nome em "jogos quaisquer", quando ela chega geralmente é para criar as obras-primas do console, os jogos que marcam uma era ou pelo menos seu ano de lançamento. E GTA 3 não foi exceção, pelo contrário, foi o mais ambicioso jogo da Rockstar até então. Um excelente título, um divisor de águas e talvez o jogo mais significativo já lançado para o console Playstation 2 desde seu lançamento. Veio para coroar o console e uma época com seu bom humor e sua atenção aos detalhes. Não é indicado para todas as idades, mas, se você tiver a mente aberta, poderá desfrutar desse game simplesmente magnífico sem se arrepender. Um game a ser copiado infinitamente pelos anos vindouros, em vários estilos. GTA 3 conseguiu se tornar a referência indiscutível dentro de seu campo de atuação, e colocou a Rockstar Games no mesmo patamar que outras empresas já estiveram, como Nintendo, Sony, Capcom ou Square Enix: o topo.


Análises profissionais

A média pela Metacritic para Grand Theft Auto 3 é 97/100.

Detonado em vídeo

Esse é o melhor detonado em vídeo feito para esse jogo disponível na internet. Não se trata de um detonado 100%, mas mostra apenas as missões principais, as alternativas e as sub-missões. Vale a pena conferir, pois os vídeos estão muito bem editados e compactados, mostrando sempre a forma mais simples e infalível de se cumprir cada uma das missões do game. Perfeito se estiver empacado em alguma parte ou apenas se quiser conhecer melhor o jogo. Confira!

Parte 1


Parte 2


Parte 3


Parte 4


Parte 5


Parte 6


Parte 7


E aí, o que achou desta análise? Curtiu? Deixe-me seu comentário, ou entre em contato comigo pelo e-mail: adm_melhorfinal@hotmail.com ou pelo twitter: @AdmMelhorFinal.

6 comentários:

  1. Ótima análise. Bem escrita, completa, detalhada, trabalho muito bem feito. Parabéns.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado pelos elogios, Ricardo! Volte sempre ao nosso blog!

      Excluir
  2. Esse jogo é simplesmente sensacional e emblemático, Matheus!

    Volte sempre ao nosso blog!

    ResponderExcluir
  3. Ótima análise. Jogo sempre em meu celular. Estou no vício, mal espero a ultima missão.(estou na A- Expresso 2-Go!)

    ResponderExcluir
  4. Excelente trabalho! Parabéns pelo conteúdo bem detalhado. Fez das outras séries do GTA? Abcs

    ResponderExcluir